domingo, junho 8

Pensei o que pensei...


O episódio não é recente, alias, se o quiser enquadrar no tempo era capaz de ter de escrever uma data como 199#... mas ainda assim, decidi recupera-lo aqui para a nossa casinha, basicamente porque me veio imediatamente á memória quando pensei o que pensei...

Cenário de conversa com uma amiga que me questionava, na altura, quanto ao bom (ou não) ar de um familiar e onde respondi “ah depende dos olhos que o estão a ver”... Ela olha para mim “ explica lá isso”... Vá, não é assim tão difícil... a mesma pessoa pode ser vista de tantas formas como as que para ela estiverem a olhar.... E hoje em dia até descasco mais um bocadinho... Damos com pessoas que se podem adjectivar de FEIAS e quando as conhecemos chegamos á conclusão que afinal não O são assim tanto... E mais frequentemente chegamos á conclusão inversa... Umas que olhamos e são BONITAS mas afinal quando as vemos são absolutamente... PAVOROSAS... e foi por isso mesmo que pensei o que pensei...

3 comentários:

Major Alvega disse...

Sempre gostei de histórias de monstros ...


Quer seja por ter uma faceta sonhadora, quer seja por ser uma real e absoluta Avantesma ... nunca me impressionou aquele ar de horror que plastificava as pobres criaturas mas sim o mistério do que realmente se escondia atrás da imagem repulsiva.

Assim, lá fui evoluindo do Patinho Feio e da Bela e do Monstro, para o Frankenstein e para o Fantasma da Ópera passando óbviamente pelo pobre Quasímodo.

Hoje, volvidos vários anos a lidar com monstros reais e outras criaturas de pesadelo, mais uma vez partilhando em absoluto, o ponto de vista do Estado Maior, acredito que vemos apenas o que queremos ver.

Qualquer objecto, pessoa, ser, é nos apresentado pela luz ... ou melhor, pela sombra que é gerada pela luz ... se apenas houver luz, nao existe contraste e tudo é exactamente igual, se houver apenas sombra, somos incapazes de perceber sequer que ali existe algo.

Diz o Povo que "Quem vê caras não vê corações", é certo!

Acredito profundamente, que aquilo que nos define são as nossas acções e não os nossos pensamentos e ninguém melhor do que nós próprios pode concretizar a nossa ideia de ser e transmitir ... seja lá de que maneira for ... as sombras do nosso EU perante a Luz que emana dos outros e vice versa.

Julgo que conseguimos transmitir efectivamente aquilo que nós somos quando achamos o equilíbrio nesse "comprimento de onda" e nos "sintonizamos" com quem realmente nos diz alguma coisa ... e asssim conseguimos parecer "Bonitos" ou "Menos Bonitos" aos olhos de quem nos vê.

Acima de tudo há que ter presente a Metáfora que melhor nos define como humanos: a Ostra, que quando jovem é um dos modelos de perfeição, de design mas que ao fim de algum tempo no fundo do mar, encontra-se lascada com limos e irreconhecível.

O que para nós, Humanos, é igual, uma vez que aquilo que nos interessa é a Pérola, e como toda a gente sabe como se formam as pérolas ... cada um que tire daí as suas elações.

A beleza é transitória, o Carácter não.

Definitivamente por acreditar nisto, também eu próprio me identifico com um ... poema .. um texto ... como lhe quizerem chamar, não do José Régio mas de Rudyard Kipling e que se intitula: SE ...

Por ser demasiado extenso, não o coloquei aqui, igualmente porque é fácil de encontrar na net. e não quero de forma alguma impô-lo à audiência

Todavia, e não obstante as convenções da sociedade acerca do que e bonito e feio, foi com extremo agrado que ao ler um dos vossos "posts" mais antigos, descobri que mesmo sem me importar com isso e mesmo sem disso fazer alarido, estou no bom caminho para mercer uma "coroa no meu nenúfar" e aquele "post", sim ... traduz a minha definição de Beleza.

Mais uma vez incorrendo no risco de me tornar fastidioso, acrescento algumas linhas do nosso Imortal Ricardo Reis:

Para ser grande sê inteiro: nada teu exagera ou
exclui.

Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda brilha,
porque alta vive.


E terminando (agora é que é), segundo um contexto também já presente em sede de Quartel General ... despeço-me uma vez mais.


Verdejantemente Invejoso

M.A.

Eduarda disse...

Vejam bem o espertalhão do Major a aguçar a nossa curiosidade:

"Todavia, e não obstante as convenções da sociedade acerca do que e bonito e feio, foi com extremo agrado que ao ler um dos vossos "posts" mais antigos, descobri que mesmo sem me importar com isso e mesmo sem disso fazer alarido, estou no bom caminho para mercer uma "coroa no meu nenúfar" e aquele "post", sim ... traduz a minha definição de Beleza."

Vá desembuche lá...que post foi esse???

Major Alvega disse...

Ora ... Ora...

Não querem lá ver ... que na parada já se sabe mais que o Estado Maior??

Bem, a resposta esta na pista que o mesmo texto encerra, a luz ao fundo do túnel, e não é a lanterna da locomotiva ...

Além disso, eu sou tão modesto ... que até ficava mal estar assim tão declaradamente a gabar as minhas poucas qualidades ... já basta o embaraço ruborizante, por receber a atenção de tão ilustre patente, para tão inocente enigma.


Afoguedamente

M.A.